domingo, 27 de abril de 2014

fim

andando pelas ruas numa madrugada dessas por aí, brotou na minha mente a ideia de voltar a escrever textos. não é segredo que sinto uma paixão imensa pelas letras, pelas palavras e frases, e mais recentemente pelos versos. a cada passo que dava na madrugada cujo vento gelado servia como um prelúdio para os iminentes (e duradouros, espero) dias de frio, uma pulsação de ânimo corria pelo corpo e aquecia minha mente.

mas ao sentar na frente de meu computador, ou ao abrir meu caderno de anotações, nada acontecia. a mesma energia que me aqueceu na gélida noite de outono parecia não estar em mim mais. repetidamente escrevi algumas frases, que logo eram apagadas para dar lugar a mais frases, que deram início a um ciclo quase interminável de fracassos na minha desesperada tentativa de produzir um texto útil.

foi aí que pensei: seria isso o fim de uma era?


se pra sempre ficarei sem escrever meus textos, eu já não o sei dizer. só espero que esse não seja o último desaguar do rio das ideias convertidas em palavras no mar dos pensamentos gerais das outras pessoas. só torço pra que esse não seja o último suspiro de uma mente ora cansada, ora esperançosa. só torço que meu eu-escritor (com exceção do eu-poeta) não se perca no turbilhão de mudanças vividas a cada dia.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

zero-hora

e quando o relógio anunciou a zero hora, outro dia começou. para uns, era um dia especial. para outros, mais um dia na rotina. muitos contam como sendo um dia a menos: para o fim de semana, para o próximo feriado, para uma viagem etc. poucos sentem a contagem de seus dias chegar ao fim.

na virada do dia, as realidades se chocam. o passado, o presente e o futuro de bilhões se condensam, se misturam e se conectam. o que acontece agora vira lembrança. e a esperança daquilo que virá neste novo dia irá se tornar momento, e logo após será apenas memória, um memento.

em mais um dia que começa, uns sobreviverão. poucos viverão. alguns partirão pra eternidade. muitos se conhecerão. vários, que outrora caminhavam juntos, escolherão caminhos diferentes para trilhar. é um ciclo que se renova e se repete nas diversas zonas horárias do planeta que conhecemos como Terra.

dia após dia vemos as anunciações das meias-noites nos deixando mais próximos daquilo que desconhecemos completamente, mas que de forma perene habita nossas mentes, nossos corações, nossas almas, numa ânsia insaciável dentro de nós, que abastece o desejo de desbravar o futuro, trazê-lo ao presente e trabalhar para que boas memórias fiquem no passado.

esperamos, a cada vez que o dia se finda no último minuto que antecede a meia-noite, um novo e melhor amanhã. 

e para a felicidade de todos, ele sempre chega acompanhado.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

sobre o amar de fato

amar, no sentido mais bruto e cru da palavra, significa estar tomado de um sentimento sublime, inebriante, capaz de nos deixar embriagados de paixão e carinho por algo ou alguém. esse sentimento nobre e elevado é algo complexo e que per se subsiste, é um axioma, uma verdade incontestável. diz a frase clássica: o amor não se explica, apenas se sente.*

mesmo assim, o amor também pode causar danos e levar a outros sentimentos negativos, que por sua vez podem causar sentimentos autodestrutivos na pessoa que o sente. o próprio ato de amar requer extremo cuidado: podemos entrar num caminho sem volta, no qual teremos sim alegrias, mas as chances de tristezas, dores, angústia e sofrimento são altas e tão presentes quanto o ar que respiramos.

como saberei se amo de fato? com tal pergunta um grande amigo me surpreende; confesso que a surpresa foi boa e me pus a pensar sobre essa questão.

em tempos nos quais as responsabilidades - e as consequências dos nossos atos - aumentam em quantidade, gerando como efeito uma grande preocupação sobre diversos fatores de nossas vidas (isso tudo cada vez mais cedo), é lógico que a questão do amor desperta em nós uma preocupação grande, já que o amor tem o poder de definir nosso destino, nossa missão, nossa vocação, nossas companhias. um pequeno deslize aqui e estaremos condenados a uma situação da qual poderemos sair vitoriosos, mas gravemente feridos (quem lê, que entenda o sentido).

essas preocupações podem trazer dúvida ao que é incontestável, aquela verdade que pulsa e flui através de nós quando vemos nossa amada nos chamando, para citar um simples exemplo. e assim, penso eu, que ficamos em dúvida sobre o que sentimos. mas, para responder a pergunta, creio que devemos olhar para nós mesmos e analisar o que acontece em nosso íntimo quando estamos perto de nosso objeto de apreço, e mais ainda quando estamos longe. é aí que se encontra a resposta.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

das experiências

a cada dia de nossas vidas, somos desafiados a superar limites. transpor fronteiras. quebrar paradigmas. romper com nossos medos e explorar o inexplorado. é algo sensacional lidar com o desconhecido, por mais atemorizante e estranho que pareça ser às vezes.

mas é inegável dizer que nessa constante lida com o que nos é novo, passamos a perceber diversas coisas. notamos detalhes que antes passavam despercebidos. conseguimos retirar de cada situação particular um aprendizado valioso, especial, único. e tão importante quanto isso, conseguimos sentir com mais intensidade e força as emoções que cercam as situações pelas quais passamos.

talvez encarar isso de forma repetida durante dias, semanas e meses seja algo exaustivo, que exija muito do nosso psicológico, do nosso físico, do financeiro, do espiritual, do sentimental. é um preço que parece ser caro.

mas é algo que vale o sacrifício. vale o combate. vale as privações. vale a contumaz dor que volta e meia aparece. vale, acima de tudo, a vitória e a satisfação de olhar para trás e dizer: eu consegui.

na glória dos nossos feitos num período de tempo, que foi denominado e determinado por alguém há muito tempo atrás - a saber, os 365 dias que chamamos de ano - podemos listar aquilo que conseguimos realizar. e também podemos refletir sobre nossos fracassos, para nos tornarmos cada vez mais perfeitos e sábios em aproveitar as oportunidades que temos de encarar o desconhecido a cada dia vindouro em nossas vidas.

domingo, 10 de novembro de 2013

estatísticas

imagine um daqueles gráficos de empresa: todos os indicadores estão ali, as coisas parecem normais. tudo certo, nada está fora do lugar.

é falha grave imaginar isso. hoje em dia, todos nós corremos atrás de números. é óbvio que no trabalho somos forçados a alcançar metas pré-estabelecidas, mas essa busca desenfreada atrás de algo aparentemente tão simples como alguns números não se resume apenas a nossa labuta diária.

seja nos estudos, onde necessitamos de boas notas para não reprovar, seja no fim do mês, quando precisamos calcular o destino de nosso salário para as contas que assumimos, e até mesmo nas relações interpessoais, os números permeiam (e atormentam) nossa existência.

até nossos sonhos são condicionados a esses números. querendo ou não, sujeitamos aquilo que deveria ficar intocado e isolado de qualquer influência externa a algo que exerce pressão sobre nós diariamente.

e quando as coisas vão passando, a gente olha pra trás e só percebe: tudo virou estatística. a vida é um traço dentro de um gráfico, cheia de altos e baixos. e quando tudo se finda, seja na soma ou na subtração, na multiplicação ou na divisão, as coisas viram meros números, simples traços nessa loucura gráfica que é viver a vida hoje em dia.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

a corrida do amor

em um daqueles dias quando a falta de sono é inversamente proporcional a necessidade de acordar cedo no dia seguinte pra seguir a rotina, geralmente eu fico preocupado. é claro que parte da preocupação era por conta da insônia, mas não somente por causa dela.

no meio dessa preocupação, e depois de uma série de pensamentos correlatos, uma ideia brotou na minha mente (este texto é fruto direto da ideia). ao anotar no meu celular o cerne da ideia, consegui dormir (ufa).
é engraçado quando pensamos em algo sob um ponto de vista que nunca analisamos antes. não sei qual a razão, mas as muitas divagações da minha mente sobre amor, paixões (o plural é intencional) e relacionamentos íntimos me levaram a essa analogia: o amor, hoje em dia, é uma corrida num circuito fechado.

você conhece a pessoa. trocam beijos, carícias, palavras, presentes, fluídos. com um empurrãozinho do tempo, as coisas se tornam mais intensas. eventualmente rola uma transa, um jantarzinho romântico, madrugadas a fio perdidas trocando mensagens via Whatsapp, SMS ou Facebook. é inevitável: o sentimento brota e começa a florescer.

mas e aí? o que vem depois? um namoro, claro. passam-se os dias, semanas, meses e até anos. a cada data importante é como se uma volta completa no circuito do amor fosse dada. mas o trajeto permanece o mesmo. sem contar os problemas: discussões, intrigas, ciúme, sentimento de posse vão aos poucos minando a nossa capacidade de continuar correndo com fôlego e energia nesse circuito. e, no fim das contas, a gente acaba quebrado e sozinho.

o interessante é: eu, particularmente, não sou muito fã dessa ideia, apesar de conseguir identificar isso (e muito) em diversos relacionamentos de amigos e amigas hoje em dia. meu ideal seria uma espécie de rally: se aventurar por campos desconhecidos, sem traçar o mesmo caminho sempre e sempre...

mesmo sabendo que o trajeto seria muito mais complicado e as chances de obstáculos ou problemas intervirem serem maiores, o que interessa aqui é a companhia: com a pessoa certa do meu lado, sei que posso transpor tais empecilhos facilmente, e assim eu e ela – nós – podemos seguir juntos, um guiando o outro nesses caminhos de pedras que a vida oferece.

domingo, 29 de setembro de 2013

ciclos

as coisas se sucedem e, depois de um tempo, se repetem. quem nunca  parou para pensar nessa ordem cíclica das coisas? fui acordado pelo som de um trovão e não consegui voltar mais a dormir. o quarto escuro e a noite fria me davam todas as condições pra eu ter um sono gostoso e relaxante. mas não, minha mente se recusava a ficar em repouso.

o tempo vai passando, a chuva continua a cair. alguns relâmpagos iluminam o quarto, e fiquei no meio da luta entre a mente hiperativa e o corpo exausto. esta luta é um belo exemplo de como as coisas acabam acontecendo e se repetem com certa frequência.

resolvi respirar fundo e ficar em silêncio. a chuva caía, os relâmpagos iluminavam a noite escura, os trovões anunciavam que o tempo não iria melhorar tão cedo. mas um dia, o sol apareceria, tudo ficaria claro de novo, o calor tomaria conta da cidade e do coração das pessoas. as águas evaporariam, nuvens de chuva seriam formadas, e assim a chuva cairia novamente.

períodos turbulentos da vida acontecem com frequência. é bem certo que todos nós vamos sofrer durante nossa existência, seja com a morte de alguém que amamos, seja através de uma dor física, ou quem sabe nas paixões, nos relacionamentos, no amor. sempre algo ou alguém vai embora, e precisamos estar preparados para isso.

mas a questão é: nenhum tormento terreno é eterno. nada é maior do que nossa capacidade de lutar e vencer. nós fomos feitos com base num ser Perfeito, Único, Eterno. as dores passageiras dessa efêmera existência não podem nos abater, pois fomos criados para a eternidade.

pensei nisso. era como se finalmente algo tivesse sido desativado em mim. no caso, era a teimosia da minha mente. fechei meus olhos, ainda ouvindo o som da chuva e dos trovões, e dormi, sabendo que no dia seguinte encontraria o sol da esperança brilhando novamente.