Decidiu
admirar a noite atípica pela janela, que estava embaçada por causa do choque
entre a temperatura baixa e o ar quente que saía de seu nariz. Era uma
oportunidade singular, ele se via no meio de um lugar desconhecido, sem saber
ao certo quando chegaria em seu destino. E, de certa forma, isso deixava-o
confortável.
Repentinamente,
uma leva de lembranças invade sua mente. Olhando o horizonte escuro, onde terra
e céu se distinguem apenas pelo brilho das estrelas, imagens e vozes começam a
aparecer dentro de sua memória. Não precisou fechar o olho para imergir nas
lembranças, era como se elas tivessem tomado forma e estivessem ali, ao alcance
dele.
O abraço que ele deu, o beijo que recebeu, o
tempo que perdeu. O conselho que foi dado, a alegria que foi compartilhada, e o
adeus. O começo, o meio, e o fim. A nostalgia havia se instalado.
Mas, mesmo
assim, ele não deu muita importância pra isso não. Se levantou, buscou um café,
sentou-se novamente e apreciou a vista. Na penumbra e na distância do horizonte
ele viu inspiração. Motivação. Esperança.
Afinal de
contas, o sol já estava por nascer.
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