segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

estrada escura

Em uma estrada vazia em uma madrugada fria, num deserto aparentemente interminável, o ônibus seguia. Todos ao redor dele estavam dormindo, era uma viagem longa. Teve a sorte de viajar sozinho, sem ninguém pra lhe incomodar. Via as estrelas claramente, e vez ou outra algum vestígio de civilização, além da própria estrada em si, aparecia.

Decidiu admirar a noite atípica pela janela, que estava embaçada por causa do choque entre a temperatura baixa e o ar quente que saía de seu nariz. Era uma oportunidade singular, ele se via no meio de um lugar desconhecido, sem saber ao certo quando chegaria em seu destino. E, de certa forma, isso deixava-o confortável.

Repentinamente, uma leva de lembranças invade sua mente. Olhando o horizonte escuro, onde terra e céu se distinguem apenas pelo brilho das estrelas, imagens e vozes começam a aparecer dentro de sua memória. Não precisou fechar o olho para imergir nas lembranças, era como se elas tivessem tomado forma e estivessem ali, ao alcance dele.

O  abraço que ele deu, o beijo que recebeu, o tempo que perdeu. O conselho que foi dado, a alegria que foi compartilhada, e o adeus. O começo, o meio, e o fim. A nostalgia havia se instalado.

Mas, mesmo assim, ele não deu muita importância pra isso não. Se levantou, buscou um café, sentou-se novamente e apreciou a vista. Na penumbra e na distância do horizonte ele viu inspiração. Motivação. Esperança.

Afinal de contas, o sol já estava por nascer.

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