segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

estrada escura

Em uma estrada vazia em uma madrugada fria, num deserto aparentemente interminável, o ônibus seguia. Todos ao redor dele estavam dormindo, era uma viagem longa. Teve a sorte de viajar sozinho, sem ninguém pra lhe incomodar. Via as estrelas claramente, e vez ou outra algum vestígio de civilização, além da própria estrada em si, aparecia.

Decidiu admirar a noite atípica pela janela, que estava embaçada por causa do choque entre a temperatura baixa e o ar quente que saía de seu nariz. Era uma oportunidade singular, ele se via no meio de um lugar desconhecido, sem saber ao certo quando chegaria em seu destino. E, de certa forma, isso deixava-o confortável.

Repentinamente, uma leva de lembranças invade sua mente. Olhando o horizonte escuro, onde terra e céu se distinguem apenas pelo brilho das estrelas, imagens e vozes começam a aparecer dentro de sua memória. Não precisou fechar o olho para imergir nas lembranças, era como se elas tivessem tomado forma e estivessem ali, ao alcance dele.

O  abraço que ele deu, o beijo que recebeu, o tempo que perdeu. O conselho que foi dado, a alegria que foi compartilhada, e o adeus. O começo, o meio, e o fim. A nostalgia havia se instalado.

Mas, mesmo assim, ele não deu muita importância pra isso não. Se levantou, buscou um café, sentou-se novamente e apreciou a vista. Na penumbra e na distância do horizonte ele viu inspiração. Motivação. Esperança.

Afinal de contas, o sol já estava por nascer.

domingo, 9 de dezembro de 2012

menos = mais?


sou um apreciador do minimalismo. na arte, na arquitetura, na música. a simplicidade é algo atraente, interessante. e talvez isso possa se aplicar a outras situações mais intangíveis, como ideias e relacionamentos.

como já dizia a frase, "menos é mais". menos apego, menos sentimentos, menos preocupação é mais paz, tranquilidade, felicidade. isso faz com que a gente não fique tão bitolado ou ocupado com alguma coisa, pensamento ou pessoa. saber dosar as necessidades, além de domar os desejos e obter controle sobre os sentimentos é essencial pra se viver bem.

acredito que praticar o minimalismo no dia-a-dia pode ajudar a gente a ter uma vida melhor, mais agradável e interessante. dá aquele empurrão que a gente precisa pra se libertar de algum medo, ou ficar livre dos conceitos errados que a sociedade em geral coloca dentro da gente.

talvez eu esteja errado no que disse até aqui, mas ao menos isso deu certo comigo. e continua a dar certo. e espero que continuará assim até o fim.

sábado, 1 de dezembro de 2012

válvula de escape

era um sentimento estranho. incomum. ímpar. e talvez um tanto atormentador. dava voltas e voltas no ciclo de pensamentos na mente dele.

mas ele já estava, de certa forma, acostumado, por anos ele convivia com essa repetição constante e ininterrupta de ideias, antíteses e paradoxos no seu íntimo. era até estranho o jeito que ele lidava com isso.

de toda forma, ele precisava se libertar, afinal de contas, isso aprisionava ele. interrompia o progresso na vida dele. e ele sabia disso. e foi aí que ele decidiu: queria ser livre. não a liberdade que é pregada ao redor do mundo. não era apenas a ideia de poder fazer aquilo que queria a qualquer momento. a definição de liberdade dele era algo muito mais amplo que isso.
era a possibilidade de se libertar dos conceitos. das ideias e dos valores pré-estabelecidos. do medo.

era poder libertar a mente, a alma e o corpo.

isso era ser livre. não uma espécie de fuga ou negação da realidade. era rejeitar a condição atual na qual ele estava e lutar a cada dia para melhorar isso. era não precisar usar uma válvula de escape.

era não só sobreviver, mas viver.

domingo, 25 de novembro de 2012

ensaio sobre a indiferença


Não, eu não quero saber de nada. Não quero saber de você. Não quero saber o que você tem feito ultimamente. Não quero saber sua opinião. Não quero saber o que você pensa. Não estou interessado. Não quero conhecer seus planos, seus objetivos, suas metas. Não desejo saber o que você irá fazer daqui a 1 dia, 1 mês ou 1 ano.

Não faz a menor diferença pra mim. Não quero saber se você tem outra pessoa, se você está "disponível" ou não, não quero saber sobre seus relacionamentos passados, sobre sua visão da vida, sobre as dúvidas que pairam em sua mente. Isso não me é atraente. Não quero te conhecer.

Não preciso disso. Não preciso saber se você quer ou não ser feliz. Não preciso da sua atenção indiferente. Não preciso de sua opinião. Não preciso do seu interesse, afinal de contas, não quero saber de você.

E mesmo assim, quero você. Por um dia, apenas. E não quero fazer parte de sua vida. Mas te desejo. De corpo e alma. E sem compromisso. Sem planejar o futuro. Sem pensar no amanhã, só viver o hoje e o agora. Só você e eu, às 2 da manhã deitados ao ar livre, vendo a lua e as estrelas do céu. Sem estabelecer metas conjuntas, só viver um dia, uma experiência por vez.

E não, a necessidade não implica no sentimento. O desejo não significa amor. E sim, isso é algo estranho de se entender, mas vale a pena viver, enquanto durar.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

pontos

era uma noite qualquer. ou pelo menos deveria ser. estava sentado em um ponto de ônibus, esperando o próximo coletivo passar. fazia frio, e eu estava só. olhei meu relógio, que marcava 4 horas da manhã. as nuvens estavam muito carregadas, logo iria chover.

"tenho que parar de pensar demais", disse a mim mesmo em meu íntimo. não tinha sido a primeira vez, isso ecoava todo dia em mim. o fato de pensar demais me torturava, me fazia ser refém de alguma coisa que eu não deveria ser. e aí, as gotas do temporal começaram a cair. momentos depois, a chuva molhava meu uniforme.

comecei a pensar sobre os pontos finais. e como sempre, pensei demais. fiquei absorto nos diversos flashes de memória que apareciam em minha mente, e quase perdi o ônibus. a noite estava gelada, e assim eram a maioria dos finais que vivi. sem vida. sem calor humano. sem paixão, sem amor.

e enquanto o ônibus seguia seu destino, fiquei ali, imaginando, pensando, divagando sobre como fazer algo já acabado voltar a ser uma frase, um parágrafo, um texto, um livro. e segui, madrugada adentro, até o ônibus chegar a seu ponto final.

domingo, 18 de novembro de 2012

sentimentos plásticos

ela disse pra ele, e ele repetiu o que ela disse. se beijaram e despediram-se, afinal de contas, a vida continuava. foram viver suas vidas: ele com outra e ela com outro. não fisicamente, claro. ela pensava em outro e ele em outra. e até mesmo quando estavam juntos, um não deixava de pensar na outra pessoa.

e assim viviam juntos, nesse jogo de aparências, nesse faz-de-conta, dia após dia. era como se um não estivesse disposto a enfrentar o fim dessa relação tão confortável e tão verdadeira quanto a mais absurda das mentiras. era como dizia aquela música: "beijo sem paixão, crime sem castigo."

e eram tão vazias as juras de amor; os beijos já não tinham mais seu antigo ardor. e assim seguiam, nesse sentimento plástico, falso, sem vida.

sábado, 17 de novembro de 2012

metamorfose

Acordo. Noto algo de diferente. Não virei um inseto, um monstro ou algo do tipo. O espelho confirmava isso. Era eu mesmo ali, com a aparência de quem havia levantado da cama. Mas eu sentia algo de diferente. E não só hoje. Era contínua a estranheza que eu sentia. Não pertencia mais ao grupo de pessoas que me cercava. Ou pelo menos era assim que eu me sentia.

Percebi que a casca que me cercava não havia mudado. Por fora, tudo estava do mesmo jeito. A mudança, porém, estava ali, apesar de não parecer estar. E era por dentro, por debaixo da pele, que tal mudança tinha acontecido. E era bem estranho. No meio de tanta dúvida e tanta incerteza sobre essa diferença que eu sentia, me perguntei: no que havia me transformado? Sei que eu continuava do mesmo jeito, mas mesmo assim mal me reconheço. E agora, como descobrirei o que sou?

O tempo dirá.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

gota d'água

é estranho como algumas coisas aparentemente insignificantes tem influência em nossas vidas. ouvi dizer uma vez que "uma gota d'água move o oceano", e agora consigo entender o significado dessa expressão. são detalhes sutis que às vezes contribuem pra um sorriso largo e sincero no rosto ou noites insones por conta de preocupações diversas.

aquilo que parece ser irrelevante pode ecoar por toda a vida. e muitas vezes a gente nem se dá conta disso. a gente insiste em querer as coisas de maneira rápida e fácil, à todo custo, independente do mesmo. e aí a gente não pensa. não conseguimos ponderar qual o melhor caminho  a ser escolhido; qual a melhor atitude a ser tomada; qual a melhor palavra a ser dita.

percebemos tarde demais: o que precisava ser feito não foi. às vezes, na loteria da vida, as coisas podem dar certo. mas geralmente algumas coisas falham. e quando falham, a gente percebe que aquela palavrinha que deveríamos ter (ou não) dito, aquela coisa que deveríamos ter (ou não) feito, poderiam ter um impacto diferente, transformado a situação em algo melhor.

e depois disso, só nos resta encarar o temporal que vem, na expectativa de ver o sol aparecer na manhã seguinte.

domingo, 21 de outubro de 2012

volatilidade

Passei um tempo sem postar. Isso é fato. Muita coisa aconteceu nos últimos dias. Muitas delas foram coisas boas, que me deixaram feliz. Mas, como a vida não é um jogo na dificuldade fácil, muita merda aconteceu também. E por causa disso, desse monte de coisas que aconteceram e tem acontecido a cada dia, por causa dessa aleatoriedade na série de eventos que se sucedem todo dia na minha vida (que agora está se tornando deveras interessante e boa, do jeito que eu gosto), aprendi uma coisa interessante.

Que a gente não pode controlar as situações alheias às nossas vontades isso é fato. Mas é interessante o quanto as situações tem o poder de influenciar as escolhas futuras das pessoas. E mais além disso, as situações não só influenciam o futuro distante, mas também o futuro próximo e principalmente o presente. De maneira repentina muitas pessoas mudam suas escolhas com base no sucesso (ou insucesso) de determinado plano ou situação.

E é interessante observar isso. Pessoas que parecem determinadas a alcançar algo mudam repentinamente de objetivo depois que algo inesperado acontece. E aí a volatilidade das pessoas acaba afetando elas mesmas. Perdem oportunidades incríveis, chances únicas. E depois que percebem a merda que fizeram, em perder essas chances absurdamente perfeitas de serem felizes, se torturam, lembrando-se do passado e se afundando mais ainda no oceano do fracasso. Fica a dica pra você, e acima de tudo, pra mim mesmo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

imprevisibilidades

hoje, antes de sair pra faculdade, vi a previsão do tempo, que dizia que não haveria chuva pro resto da semana. nem ao menos tempo nublado. erro grave. chego na faculdade, e descubro que não tem aula. vou ao ponto de ônibus esperar o coletivo, e enquanto espero ele, vejo do ponto de ônibus um céu com tonalidades cinzas-avermelhadas, com relâmpagos riscando as nuvens carregadas, que cobriam toda a extensão do céu. era o presságio da chuva, que caiu momentos depois que cheguei em casa.

enquanto os ônibus que tomei andavam pelas ruas escuras, que volta e meia ficavam claras graças a um ou outro relâmpago, comecei a pensar a respeito das previsões que fazemos do futuro. insistimos sempre em tentar descobrir o que irá acontecer, fazendo previsões, análises, planejamentos e coisas afins. planificamos nossas ações com base em previsões, vislumbramos nossas decisões futuras com base em incertezas. e falhamos.

falhamos porque é impossível prever o futuro. e, dessa maneira, todos os nossos planos se esvaem. todas as nossas expectativas se frustram. toda a visão que temos do futuro é obscurecida por nuvens negras, de tons cinza-avermelhadas. os trovões e relâmpagos das dúvidas insistem em cortar esse céu enegrecido, e aí nos sentimos sem esperança. sem vontade. sem forças.

e assim se segue o ciclo da vida: os céus se fecham, as dúvidas vem, a chuva cai e nos molha... mas, como nada dura pra sempre, depois da noite tempestuosa, vemos no alvorecer a esperança de um futuro melhor, por mais imprevisível que seja.

domingo, 16 de setembro de 2012

o ônibus da mente

na última quinta estava eu dentro do ônibus indo pra faculdade. tudo estava indo bem pra uma quinta, quando percebo que numa das paradas que o mesmo fez, a última pessoa além de mim e do motorista desceu do coletivo. fazia muito tempo que não ficava tecnicamente sozinho dentro de um ônibus. e aproveitei a oportunidade: resolvi pensar.

resolvi dar vazão ao turbilhão de pensamentos que estavam na minha mente, e aí tudo ficou estranho. senti-me alheio a realidade, mesmo consciente. fiquei dopado, paralisado, travado. e nesse meio tempo, minha mente trabalhava a uma velocidade absurdamente rápida.

pensava em um determinado fato, e logo pensava na antítese desse fato. pensava nos sentimentos que tenho por uma pessoa, mas logo pensava no oposto disso, no fato de eles não serem correspondidos. pensava no quão inútil agi em determinadas situações, mas logo depois pensava que nada teve alguma consequência negativa até o dado momento.

esses pensamentos e ideias opostas faziam uma espécie de ciclo: ora pensava em um pensamento, ora pensava no seu oposto. e, tal como no princípio do duplipensar, que George Orwell propôs no livro 1984, essas ideias opostas entre si estavam na minha mente. e o pior: aceitava ambos os opostos.

logo, eis o motivo que me deixou alheio a realidade. e, quando voltei ao mundo real, percebi que o tempo havia passado e estava me preparando pra dormir, pra mais uma vez reiniciar o ciclo de pensamentos e ideias, dessa vez de maneira desenfreada no mundo dos sonhos…

sábado, 15 de setembro de 2012

lugares desertos

amo lugares desertos. não um deserto em si, mas amo lugares com pouca ou nenhuma gente. me sinto bem ficando sozinho em um lugar assim, quer seja minha casa, quando todos saem e fico sozinho, as ruas do bairro de madrugada, quando resolvo fazer minhas caminhadas noturnas, uma livraria fora do horário de pico, onde posso mergulhar no mundo das letras…

amo o silêncio, a calma, a paz que esses lugares desprovidos de cabeças muitas vezes cheias de pensamentos vazios trazem. gosto do silêncio. gosto de ouvir o som da minha respiração. gosto de sentar, sozinho, na madrugada e sentir a brisa suave que anuncia o começo da primavera me refrescando. gosto de levar meus fones de ouvido pra todos esses lugares, e, assim, depois de repetir esse ritual, poder viajar nos acordes e letras das músicas que amo.

lembro das vezes que esperava minha carona para o quartel de madrugada, ano passado, enquanto servia no Exército. e, falando nisso, gostava das madrugadas que passava nas guardas que eu tirava no quartel. em quase todas elas, o frio, meus fones de ouvido e uma sensação de solidão mas paz absoluta me acompanhavam. e era bom.

hoje, dou meu jeito de fugir das pessoas e ficar à sós com minha mente. com meus pensamentos. com meus fones de ouvido, sempre com alguma música tocando. acabo dando o jeito de escapar desse mundo bizarro e grotesco, egoísta e indiferente, e vou para meu lugar de paz e descanso: algum lugar deserto.

domingo, 9 de setembro de 2012

combustão.

Ele era um cara legal. Curtia uma boa música, gostava de livros e cinema. Lia de tudo um pouco, desde revistas em quadrinhos até livros de sociologia. Viajava demais sem sair do lugar, e sem precisar de um ácido ou de uma erva pra isso. Enfim, ele era um cara legal. Até que ele conheceu ela, que parecia ser uma pessoa legal. Na hora ele ficou enfeitiçado: pelo jeito que ela andava, pelo jeito que ela falava, pelo jeito que ela se vestia, pelo jeito que ela era. Os dois caminharam juntos por um tempo, e a atração entre ambos só aumentava. Se era amor ou tesão, eles não sabiam dizer. Mas eles sentiam em seus corpos. Quando estavam juntos, eram como fogo e gasolina. O desejo corria por suas veias, ardia em seus corações, os queimava tão intensamente que mal podiam controlar. Ele e ela, ela e ele, ele com ela, ela com ele. Eles apenas queriam se ter, ter controle um sobre o outro, e gozarem um do outro. Mas, mesmo ele sendo um cara legal e ela sendo uma menina legal, a chama foi diminuindo de intensidade. Sabe-se lá porque, mas tudo já não era como antes. Até que num belo dia, eles já não existiam mais. Eram apenas ela e ele, separados por um abismo invisível, de diferenças irreconciliáveis. E aí, a chama apagou.

domingo, 2 de setembro de 2012

a teoria e a prática na vida.

toda forma de conhecimento empírico é inútil, se não for agregada com alguma experiência que comprove aquilo que foi assimilado na teoria. não adianta ler um livro de culinária se você nunca vai cozinhar. não adianta ler um livro de auto-ajuda se você não está disposto a por em prática na sua vida o que é dito no livro. de nada vale a teoria sem a prática: precisamos não apenas buscar o conhecimento, mas também vivê-lo a cada dia. precisamos dessa vivência, da experiência prática. necessitamos sentir na prática o que as palavras explicam através da teoria. e, após tudo isso, adquirir para nós mesmos vida.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

onde vai parar

me sinto estranho. fazia muito tempo que isso não acontecia comigo. vivi situações e experiências que realmente provocaram esses sentimentos em mim. é incrível como apenas um simples gesto tem o poder de causar um efeito tão intenso e amplo na vida de alguém. e muitas vezes a pessoa que fez tal gesto às vezes nem se dá conta da magnitude e do impacto que a ação que ela fez teve na vida do outro. uma simples troca de olhares, uma conversa, elogios velados e discretos... tudo isso pode desencadear uma série de pensamentos, desejos e sentimentos.

é nessa situação que me encontro. poucos sabem, mas por muito tempo não senti nada. mas, num dos caprichos que só a vida é capaz de preparar, estou sentindo. por mais estranho que seja, estou bem. algo quebrou as barreiras da indiferença e desconfiança que cercavam meu coração. tenho pensado demais. uso a memória para me lembrar do tão suave rosto e do belo sorriso que ela tem. tento-me recordar do doce som de sua voz, e assim sigo, sem saber exatamente o que estou sentindo, e ansioso para descobrir onde tudo isso vai parar.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

sem título.

o fim de algo representa sempre um novo começo, uma nova oportunidade, uma nova situação a ser encarada. e, mesmo que seja difícil deixar coisas que nos acompanharam por muito tempo, há de se ver o progresso e o crescimento como pessoa como razão para dar fim a coisas que não lhe são benéficas. e aí entra a força de vontade: não desistir frente aos obstáculos e provas que a vida impõe, e vencê-los, não perdendo o foco no objetivo máximo que estabelecemos para nós mesmos. a vida flui como um rio, mas não podemos nos deixar levar pela correnteza! devemos lutar de maneira brava e honesta sempre, mesmo que isso signifique remar contra a corrente.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

oculto.


Cada ser humano tem alguma intenção oculta. Algum desejo reprimido. Lá dentro de nós mesmos, nos nossos mais profundos pensamentos, desejamos algo, mesmo sem perceber. Dentro do nosso íntimo reside uma vontade intensa, uma força imensurável que pode ser despertada com algo bem simples: um olhar, um toque, uma palavra. Nesses desejos, que preferimos ocultar de tudo e todos enterrando-os nas profundezas da alma, reside um poder imenso, algo igualmente intenso e inexplicável. E, quando menos percebemos, esse gigante desperta, no mais simples estímulo, e a intenção oculta se torna um desejo incontrolável...

E ainda assim insistimos em esconder e negar o que o corpo denuncia.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

uma aleatoriedade sobre a vida e o mundo das ideias

Eis um dos maiores dilemas e paradoxos do ser humano: o mundo das ideias, tão presente em nossa mente, que é algo intangível, e o que podemos tatear, ver, provar. Vivemos nessa linha tênue entre o que se vê e o que vai além daquilo que podemos explicar. Vivemos experiências que, mesmo às vezes sendo indefiníveis, são tão reais quanto um copo de água. E, da mesma maneira, buscamos explicação para coisas que vemos e ouvimos, que mesmo sendo reais, parecem vir de uma obra distópica. E nisso se baseia nossa efêmera existência, viver na corda-bamba do que é real e o que não é...

domingo, 15 de julho de 2012

sinapse dos pensamentos

É estranho pensar. Pensar e pensar, pensar sem parar. A mente funciona a tal velocidade que as ideias se desencontram. Os pensamentos correm desordenadamente pelas vias da imaginação. Não há congruência entre palavras e atitudes. Ficamos perdidos, alheios, como um barco à deriva. Somos surpreendidos por causa disso: perdemos o poder de reação diante das situações que encaramos.


O pensar em si não é algo ruim, o que complica é pensar demais. Pensar num problema a ser resolvido não é ruim, pensar demais no mesmo problema pode levar ao stress mental. Pensar em alguém não é de todo algo mal, ruim é pensar demais na mesma pessoa, e criar expectativas, que provavelmente não serão alcançadas.


Pensar demais leva ao erro, ao fracasso, a derrota. Se não conseguimos coordenar nossa mente, como solucionaremos um problema? Da mesma maneira, a ausência do pensamento nos faz sermos seres ignorantes e burros. Sem os pensamentos, nos tornamos pessoas desprovidas de criticidade, de imaginação, de objetivos, de sentimentos.


Enfim, o mundo gira na velocidade dos meus pensamentos, e eu nem sempre presto atenção. O mundo dá voltas e mais voltas, e minha mente também, acompanhando esse ritmo ininterrupto e constante. Ela gira e não para de girar...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

lembranças, atualidade e o amanhã

"Nothing lasts forever". É interessante como o refrão de uma música pode sintetizar de maneira curta a efemeridade da vida. Memórias e experiências, gestos e sensações, sons e situações, tudo isso, de uma maneira rápida, passa por nós: fazem parte do passado, mas ja foram (e podem influenciar) o presente, e antes disso eram futuro, representado na ansiedade e expectativa do porvir.


Quem nunca esperou com ansiedade ganhar aquele brinquedo de aniversário? Quem nunca desejou voltar pra casa depois de ficar meses longe? Quem nunca sentiu ansiedade em rever um amigo que há muito tempo não era visto? Quem nunca sentiu expectativa ou "frio na barriga" minutos antes de beijar aquela que é a sua inspiração, e que faz seu coração bater mais rápido?


Eis aí o fato: nada dura para sempre. Muito se comenta a respeito, mas nada é certo. O futuro, o que há de porvir, o amanhã, pode-nos trazer tanto coisas boas como ruins. Coisas essas que podem influenciar nosso presente, fazendo com que acreditemos numa ilusão ou vivamos de maneira oposta, sendo extremamente racionais. E o presente influencia o passado, pois é com base na atualidade que construímos as lembranças que ficarão em nossa mente.


Não satisfeita, a vida, com seus belos gracejos paradoxais, faz com que a mesma equação funcione de maneira invertida. O futuro influencia o presente, que influencia o passado, que influencia o presente, que influencia o futuro. Usamos as lembranças para agirmos de maneira diferente na atualidade, visando colher frutos no amanhã. E aí se estabelece o ciclo perpétuo que rege a vida: tudo passa e nada dura, e a vida corre, tal como um rio que segue seu curso até desaguar no mar.


Mas, sabendo que nada dura, tentamos fazer com que tudo fique vívido em nossa mente. A risada que foi dada, o abraço que foi recebido, a companhia de quem já partiu pra eternidade, o beijo apaixonado que foi compartilhado. Infelizmente, por mais que nossa alma anseie por isso, tais lembranças não acontecerão exatamente como aconteceram. E, aí, as lembranças vão perdendo seu tom e cor, e lentamente vão se esvaindo depois do adeus.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

crie e viva.

seja o que você quiser. não se conforme ou se amolde. não imite ou copie. faça de tudo o que você faz algo único, ímpar, jamais visto até então. não deixe que os outros decidam por você. tenha personalidade e gostos próprios, não se leve pela multidão. não deixe que alguém diga o que você deve ou não curtir, o que deve ou não vestir. afaste-se de quem tenta te controlar, de quem tenta fazer você virar um ser inútil, sem atitude. jamais permita que digam aquilo que você deve ou não fazer, aquilo que você deve ou não ler, ou aquilo que você deve ou não ouvir. ignore quem te diz como você deve se comportar, como você deve agir. esqueça quem fala aquilo que você deve ou não dizer. abra-se, busque dentro de si a vontade, o interesse, o tesão pelas coisas da vida. viva na intensidade e literalidade da palavra, e não se prenda ao que passou. escreva sua vida hoje, agora, de maneira diferente.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

castelo de areia.

Eis a ruína das pessoas: seu excesso de autoconfiança. Sobem tão alto, imaginam, fazem planos e sonham; exageram os fatos e observam alvos muito além de seu alcance. Mas, a realidade vem, e como a maré na praia, faz com que seus tão altos castelos de areia desmoronem. Se perdem na multidão de pensamentos e são impiedosamente golpeados pelos fatos. Oxalá se a vida não me fosse cruel assim.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

videscrita.

Versar é viver. Usar a ponta do lápis pra fazer das palavras um refúgio, uma fortaleza, um porto seguro pra alma. Escrever é construir um mundo alternativo e surreal, fazer das frases a ponte entre a realidade crua e impiedosa e o mundo incrível e utópico da imaginação. Poetizar é sentir. Na nostalgia do passado, na expectativa do futuro ou na ansiedade do presente fazer os sentimentos fluírem, e tentar explicar o constante turbilhão de imagens e experiências que aparecem em nossas mentes quando beijamos aquela pessoa que é dona do nosso coração. Viver, construir e sentir, versando, escrevendo, poetizando, videscrevendo.

sorriso.


Por trás de todo sorriso sempre existe algo escondido. Seja uma intenção, um problema, um sentimento. Mas, e aí, quem se importa? Hoje em dia as pessoas não sorriem. Andam freneticamente pelas calçadas das cidades como se fossem formigas, elas vem e vão, e, mesmo nas diversas fisionomias, a mesma expressão persiste. Estão todos concentrados, focados, preocupados com a vida. Com as contas a pagar, com o futuro de sua família, se estão casados, ou se não estão, se preocupam em achar alguém que satisfaça sua vontade egocêntrica e narcisista. Se preocupam com coisas tão triviais, tão passageiras, tão corriqueiras. E esquecem-se do poder que aquilo que elas vem no outro, à saber o motivo desse texto, tem. Esquecem-se do poder escondido por trás do sorriso.

sábado, 9 de junho de 2012

o poder ignorado: um ensaio maluco sobre o poder das palavras


Existe um poder inimaginável e imensurável na linguagem, e mais especificamente, nas palavras. Enquanto a ação é largamente difundida e pregada como o fato determinante e situação necessária para algo se tornar realidade, muitas dessas pessoas - senão todas elas - que valorizam tanto suas ações ignoram o poder que existe nas palavras.

"As palavras têm o poder de destruir e de curar. Quando são ao mesmo tempo sinceras e gentis, elas podem mudar nosso mundo."
(Sidarta Gautama, o Buda)

Essa citação, escrita há séculos atrás, demonstra bem o poder que as palavras tem. Boa parte da população desconhece esse poder, e aqueles que possuem o conhecimento necessário para manejar bem a linguagem utilizam tal conhecimento como uma arma a seu favor, com grande destreza, habilidade e maestria, e graças a isso, conseguem aquilo que querem.

Eis o problema: muitos ainda acham que a ação provém do pensamento, e o pensamento da necessidade de se transformar, mas, julgo ser isso algo equivocado. Como nós, como seres humanos, somos compelidos a desenvolver um pensamento, que consequentemente desencadeará uma ação que culminará com uma reação ou uma consequência?

A cada minuto de nossas vidas somos influenciados, e tal influência se dá através da linguagem. E, dentre os vários tipos de linguagem, a mais incisiva e poderosa é, de fato, a verbal. As palavras, tal como Buda citou, tem um poder absurdamente grande, chegando ao ponto de destruir ou curar algo ou alguém. E, infelizmente, muitos desconhecem esse poder, que habita dentro de cada um.

O poder das palavras está no fato de que, mesmo parecendo insignificantes, elas podem nos influenciar de maneira intensa e forte, penetrando nos mais profundos níveis de pensamento e de consciência que temos. Elas podem exercer influência sobre a mente, sobre o pensamento, sobre os objetivos, metas e planos, sobre os ideais, valores e opiniões, sobre toda a vida de um ser humano.

Logo, com base nisso, percebe-se aqui que temos uma grande ferramenta para ser usada a nosso favor, ferramenta essa que, com o esforço, prática e vontade necessárias para aperfeiçoar o uso da mesma, trará incontáveis benefícios e gerará um impacto tão grande - ou até maior - em nossas vidas a médio e longo prazos. Então, porque não começar isso agora? :)