segunda-feira, 19 de novembro de 2012

pontos

era uma noite qualquer. ou pelo menos deveria ser. estava sentado em um ponto de ônibus, esperando o próximo coletivo passar. fazia frio, e eu estava só. olhei meu relógio, que marcava 4 horas da manhã. as nuvens estavam muito carregadas, logo iria chover.

"tenho que parar de pensar demais", disse a mim mesmo em meu íntimo. não tinha sido a primeira vez, isso ecoava todo dia em mim. o fato de pensar demais me torturava, me fazia ser refém de alguma coisa que eu não deveria ser. e aí, as gotas do temporal começaram a cair. momentos depois, a chuva molhava meu uniforme.

comecei a pensar sobre os pontos finais. e como sempre, pensei demais. fiquei absorto nos diversos flashes de memória que apareciam em minha mente, e quase perdi o ônibus. a noite estava gelada, e assim eram a maioria dos finais que vivi. sem vida. sem calor humano. sem paixão, sem amor.

e enquanto o ônibus seguia seu destino, fiquei ali, imaginando, pensando, divagando sobre como fazer algo já acabado voltar a ser uma frase, um parágrafo, um texto, um livro. e segui, madrugada adentro, até o ônibus chegar a seu ponto final.

Nenhum comentário:

Postar um comentário