ela disse pra ele, e ele repetiu o que ela disse. se beijaram e despediram-se, afinal de contas, a vida continuava. foram viver suas vidas: ele com outra e ela com outro. não fisicamente, claro. ela pensava em outro e ele em outra. e até mesmo quando estavam juntos, um não deixava de pensar na outra pessoa.
e assim viviam juntos, nesse jogo de aparências, nesse faz-de-conta, dia após dia. era como se um não estivesse disposto a enfrentar o fim dessa relação tão confortável e tão verdadeira quanto a mais absurda das mentiras. era como dizia aquela música: "beijo sem paixão, crime sem castigo."
e eram tão vazias as juras de amor; os beijos já não tinham mais seu antigo ardor. e assim seguiam, nesse sentimento plástico, falso, sem vida.
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