na última quinta estava eu dentro do ônibus indo pra faculdade. tudo estava indo bem pra uma quinta, quando percebo que numa das paradas que o mesmo fez, a última pessoa além de mim e do motorista desceu do coletivo. fazia muito tempo que não ficava tecnicamente sozinho dentro de um ônibus. e aproveitei a oportunidade: resolvi pensar.
resolvi dar vazão ao turbilhão de pensamentos que estavam na minha mente, e aí tudo ficou estranho. senti-me alheio a realidade, mesmo consciente. fiquei dopado, paralisado, travado. e nesse meio tempo, minha mente trabalhava a uma velocidade absurdamente rápida.
pensava em um determinado fato, e logo pensava na antítese desse fato. pensava nos sentimentos que tenho por uma pessoa, mas logo pensava no oposto disso, no fato de eles não serem correspondidos. pensava no quão inútil agi em determinadas situações, mas logo depois pensava que nada teve alguma consequência negativa até o dado momento.
esses pensamentos e ideias opostas faziam uma espécie de ciclo: ora pensava em um pensamento, ora pensava no seu oposto. e, tal como no princípio do duplipensar, que George Orwell propôs no livro 1984, essas ideias opostas entre si estavam na minha mente. e o pior: aceitava ambos os opostos.
logo, eis o motivo que me deixou alheio a realidade. e, quando voltei ao mundo real, percebi que o tempo havia passado e estava me preparando pra dormir, pra mais uma vez reiniciar o ciclo de pensamentos e ideias, dessa vez de maneira desenfreada no mundo dos sonhos…
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