domingo, 9 de setembro de 2012
combustão.
Ele era um cara legal. Curtia uma boa música, gostava de livros e cinema. Lia de tudo um pouco, desde revistas em quadrinhos até livros de sociologia. Viajava demais sem sair do lugar, e sem precisar de um ácido ou de uma erva pra isso. Enfim, ele era um cara legal. Até que ele conheceu ela, que parecia ser uma pessoa legal. Na hora ele ficou enfeitiçado: pelo jeito que ela andava, pelo jeito que ela falava, pelo jeito que ela se vestia, pelo jeito que ela era. Os dois caminharam juntos por um tempo, e a atração entre ambos só aumentava. Se era amor ou tesão, eles não sabiam dizer. Mas eles sentiam em seus corpos. Quando estavam juntos, eram como fogo e gasolina. O desejo corria por suas veias, ardia em seus corações, os queimava tão intensamente que mal podiam controlar. Ele e ela, ela e ele, ele com ela, ela com ele. Eles apenas queriam se ter, ter controle um sobre o outro, e gozarem um do outro. Mas, mesmo ele sendo um cara legal e ela sendo uma menina legal, a chama foi diminuindo de intensidade. Sabe-se lá porque, mas tudo já não era como antes. Até que num belo dia, eles já não existiam mais. Eram apenas ela e ele, separados por um abismo invisível, de diferenças irreconciliáveis. E aí, a chama apagou.
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