amar, no sentido mais bruto e cru da palavra, significa
estar tomado de um sentimento sublime, inebriante, capaz de nos deixar
embriagados de paixão e carinho por algo ou alguém. esse sentimento nobre e
elevado é algo complexo e que per se
subsiste, é um axioma, uma verdade incontestável. diz a frase clássica: o amor
não se explica, apenas se sente.*
mesmo assim, o amor também pode causar danos e levar a
outros sentimentos negativos, que por sua vez podem causar sentimentos
autodestrutivos na pessoa que o sente. o próprio ato de amar requer extremo
cuidado: podemos entrar num caminho sem volta, no qual teremos sim alegrias,
mas as chances de tristezas, dores, angústia e sofrimento são altas e tão
presentes quanto o ar que respiramos.
como saberei se amo de fato? com tal pergunta um grande
amigo me surpreende; confesso que a surpresa foi boa e me pus a pensar sobre
essa questão.
em tempos nos quais as responsabilidades - e as
consequências dos nossos atos - aumentam em quantidade, gerando como efeito uma grande preocupação sobre diversos
fatores de nossas vidas (isso tudo cada vez mais cedo), é lógico que a questão do amor
desperta em nós uma preocupação grande, já que o amor tem o poder de
definir nosso destino, nossa missão, nossa vocação, nossas companhias. um
pequeno deslize aqui e estaremos condenados a uma situação da qual poderemos
sair vitoriosos, mas gravemente feridos (quem lê, que entenda o sentido).
essas preocupações podem trazer dúvida ao que é incontestável, aquela verdade que pulsa e flui através de nós quando vemos
nossa amada nos chamando, para citar um simples exemplo. e assim, penso eu, que ficamos em dúvida
sobre o que sentimos. mas, para responder a pergunta, creio que devemos olhar
para nós mesmos e analisar o que acontece em nosso íntimo quando estamos perto
de nosso objeto de apreço, e mais ainda quando estamos longe. é aí que se
encontra a resposta.
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