em cada passada, em cada suspiro, o peso aumentava. as amarras do fardo
que era carregado começavam a deixar mais marcas. sob o sol escaldante ou sob o
luar duma noite congelante, caminhava em direção ao futuro, mas com o passado
sempre presente, sempre constante.
na constante marcha, mais experiências eram acumuladas. faces passavam.
eram pessoas que desvaneciam conforme ele prosseguia. e ele andava. atravessava
lugares obscuros e iluminados, cheios e vazios, calmos e agitados. ampliava seu
rol de sensações sentidas. grandes decepções e sentimentos indescritíveis eram
condensados num misto de emoções positivas e negativas. e a bagagem aumentava.
ora em passos trôpegos e vacilantes, ora em passos firmes e
determinados, ele continuava a perseverar. nas pegadas deixadas, o volume do
que era constantemente acumulado o puxava não para baixo, mas para trás. os nós
que mantinham o fardo em suas costas tornavam a caminhada exaustiva,
excruciante. diante disso, ele ficava cada vez mais confuso, aturdido, desnorteado.
estava ele caminhando por caminhos errados? deveria voltar as veredas antigas?
abandonar alguns hábitos destrutivos adquiridos nessa longa, complexa e
cansativa jornada? honrar a memória das faces que já partiram pra Eternidade?
assumir de volta o manto do propósito supremo da vida, designado desde sua
concepção?
tais perguntas marcavam cada batida do coração, cada toque da sola de
seus pés no chão. e com os calos adquiridos, lentamente o jovem peregrino
mudava sua direção. e foi-se embora pelos dias, buscando a luz, o sentido das
coisas e a liberdade dos laços que ainda o atavam ao seu fardo.
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