domingo, 27 de abril de 2014

fim

andando pelas ruas numa madrugada dessas por aí, brotou na minha mente a ideia de voltar a escrever textos. não é segredo que sinto uma paixão imensa pelas letras, pelas palavras e frases, e mais recentemente pelos versos. a cada passo que dava na madrugada cujo vento gelado servia como um prelúdio para os iminentes (e duradouros, espero) dias de frio, uma pulsação de ânimo corria pelo corpo e aquecia minha mente.

mas ao sentar na frente de meu computador, ou ao abrir meu caderno de anotações, nada acontecia. a mesma energia que me aqueceu na gélida noite de outono parecia não estar em mim mais. repetidamente escrevi algumas frases, que logo eram apagadas para dar lugar a mais frases, que deram início a um ciclo quase interminável de fracassos na minha desesperada tentativa de produzir um texto útil.

foi aí que pensei: seria isso o fim de uma era?


se pra sempre ficarei sem escrever meus textos, eu já não o sei dizer. só espero que esse não seja o último desaguar do rio das ideias convertidas em palavras no mar dos pensamentos gerais das outras pessoas. só torço pra que esse não seja o último suspiro de uma mente ora cansada, ora esperançosa. só torço que meu eu-escritor (com exceção do eu-poeta) não se perca no turbilhão de mudanças vividas a cada dia.

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