aquele lugar distante era pra onde minha
mente fugia quando ela queria descansar. ao menos não há limites para a
imaginação e para as memórias, e assim elas podem transcender quaisquer barreiras
que a presença física muitas vezes impõe. uma lembrança, uma conversa, uma
foto, uma vista, um som, um olhar, cada detalhe funciona como porta de embarque
para destinos certos e específicos, ora próximos, ora distantes.
flutuando pelos céus de um lugar desértico, começo a ver o
verde e o azul contrastarem com a paisagem morta. e velozmente minha imaginação
chega a cada vez mais perto daquele lugar onde ela encontra sossego. e no som
das teclas de um piano velho e desafinado ela pode encontrar alento e afago,
nostalgia e esperança, energia e tranquilidade.
trovões distantes anunciam tempos nebulosos lá fora. mas
aqui dentro, onde ninguém vê, lá está minha mente, pronta pra encarar mais uma
viagem a um lugar distante, bem ao sul de lugar nenhum. nos relâmpagos que cada
vez mais se aproximavam do exterior, o interior se fechava, se protegia e se
defendia com a luz da iminente escuridão que acompanhava a tempestade.
e na luz cessante de um fim de tarde ímpar, recarregados eram os
ânimos da mente através da contemplação. da admiração. da meditação.

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