quarta-feira, 7 de maio de 2014

vila da paz

aquele lugar distante era pra onde minha mente fugia quando ela queria descansar. ao menos não há limites para a imaginação e para as memórias, e assim elas podem transcender quaisquer barreiras que a presença física muitas vezes impõe. uma lembrança, uma conversa, uma foto, uma vista, um som, um olhar, cada detalhe funciona como porta de embarque para destinos certos e específicos, ora próximos, ora distantes.

flutuando pelos céus de um lugar desértico, começo a ver o verde e o azul contrastarem com a paisagem morta. e velozmente minha imaginação chega a cada vez mais perto daquele lugar onde ela encontra sossego. e no som das teclas de um piano velho e desafinado ela pode encontrar alento e afago, nostalgia e esperança, energia e tranquilidade.

trovões distantes anunciam tempos nebulosos lá fora. mas aqui dentro, onde ninguém vê, lá está minha mente, pronta pra encarar mais uma viagem a um lugar distante, bem ao sul de lugar nenhum. nos relâmpagos que cada vez mais se aproximavam do exterior, o interior se fechava, se protegia e se defendia com a luz da iminente escuridão que acompanhava a tempestade.

e na luz cessante de um fim de tarde ímpar, recarregados eram os ânimos da mente através da contemplação. da admiração. da meditação. 

do mais profundo silêncio.


Lago Ezequiel Ramos Mexía, Villa El Chocón, Neuquén, Argentina. 27/12/12

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