quarta-feira, 27 de março de 2013

colorindo o vazio

I
andando por aí, resolvi dar uma olhada pro céu. vi a lua e as estrelas brilhando com intensidade, graça e beleza, tal como no famoso quadro de van Gogh. e pensei: a lua é o presente, pois ela está ali, sendo o único satélite natural do planeta que chamamos de casa. 

já as estrelas são o passado: o brilho delas demora anos pra chegar até nosso planeta, e em alguns casos, algumas das estrelas que vemos toda noite já podem ter deixado de existir.

e o futuro? bem, o futuro é o espaço. o vazio. o vácuo. e depois de pensar nisso, fui caminhando e colorindo a escuridão com esperança, alegria e a vontade cada vez maior de lutar por aquilo que vale a pena.

nunca fiz um post que tenha trilha sonora, mas o texto acima sem a música abaixo não faz sentido.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

inefabilidade

o momento no qual você não sabe o que dizer ou como explicar algo: este que vos escreve tem absoluta certeza de que você - sim, me refiro exatamente a você - já vivenciou situação similar a esta.

tava pensando sobre isso hoje de tarde. é espetacular a sensação que se passa dentro da gente quando algo que prende tanto nossa atenção, ao ponto de nos deixar inebriados, acontece. a emoção de sentir essa sensação correndo através de nosso corpo, em cada sinapse dos neurônios, em cada célula que corre pelas veias e artérias, em cada arrepio que sentimos em nossa pele, é, sem sombra de dúvidas, descomunalmente intensa. grandiosíssima. mui excelente. indescritível. inefável.

ah, sem dúvidas a paixão é uma dessas tais sensações. quebrar um misto de indiferença, desconfiança e frieza é algo que a paixão consegue fazer com uma absurda e surpreendente maestria.

a paixão dentro de nós é algo tão interessante, sublime e belo que, sem sucesso algum, tentaram em todo o decorrer da história humana traduzir esse sentimento, tentando usar palavras, metáforas, comparações ou qualquer outra figura de linguagem existente.

e bem, aqui estou eu, absorto nessa sensação que, por mais angustiante que seja, é estranha e deliciosamente suave e doce. lembrar de cada sorriso e olhar dela é uma coisa que embevece e enleva minh'alma, minha mente, meu ser. e me leva a escrever coisas como este texto.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

chave de ignição

determinados momentos tem uma absurda importância em nossas vidas. achamos que tais momentos são raros e limitam-se a poucas oportunidades, situações ou contextos específicos. a real é que não é bem assim não.

temos que lidar com escolhas e opções todos os dias, e isso é um dos grandes axiomas que cercam a vida de um ser humano. mas muita gente faz pouco caso dessas escolhas: muitos desprezam ou são ignorantes ao fato de que toda ação (ou escolha) gera uma reação (ou consequência), podendo esta ser algo catastrófico ou uma sacada genial.

e é por isso que a mais aparentemente inofensiva pode funcionar como uma chave de ignição: essas situações podem dar partida numa série de eventos em cadeia que poderão ter uma influência decisiva não somente no aqui e agora (ou o tempo presente, o hoje), mas também no amanhã, no dia depois de amanhã e assim sucessivamente por todos os dias até o último suspiro de nossa existência.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

(ex)pessoas


não é você que determina sua própria existência. acreditar nisso é uma grande tolice. ledo engano. puro engodo. mera ilusão. o fato de você estar viva/vivo não significa que você existe, ao menos para mim. para algum outro ser inútil que te idolatre, talvez você exista.

fazemos isso todos os dias. excluímos o registro da existência de pessoas em nossas mentes, nossas memórias, nossos corações (talvez deste último nem tanto, por causa das óbvias dificuldades em se livrar de sentimentos que já criaram raízes). fazemos tal coisa sem a menor cerimônia.

e nem sentimos remorso quando fazemos isso. afinal de contas, agimos apenas por justa conveniência, não?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

incolor

olhar o horizonte e ver as nuvens cinzas que tomam conta do céu. por dias, repetidos dias, repetidas e incontáveis vezes sem mudança a rotina foi assim. não que todos os dias os céus estavam fechados de fato, era mais uma sensação de dia nublado que estava dentro de mim.

era rotina: acordava todo dia meio entorpecido. não era por causa de nenhuma ressaca, de nenhum efeito pós-fim de semana. não era porque eu estava doente. era mais uma sensação um tanto incômoda. falta de inspiração, talvez? não sei, não conseguia entender.

assim como um dia de chuva e nuvens cinzentas, sem nenhum raio de sol, tudo tava meio acinzentado. meio incolor. inodoro. insípido. andava por aí meio dopado, meio acordado. nada parecia interessante. cara, era estranho, mas eu andava por aí assim. era fato: eu tava meio alheio à realidade, meio desconectado do mundo.

mas aí os tempos mudaram. num fim de tarde, eu vi a luz. o sol apareceu no horizonte distante. as nuvens começaram lentamente a se dissipar. lá estava o astro-rei, colorindo o céu com tons alaranjados, e voltando a trazer um pouco de alegria pros meus dias.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

estrada escura

Em uma estrada vazia em uma madrugada fria, num deserto aparentemente interminável, o ônibus seguia. Todos ao redor dele estavam dormindo, era uma viagem longa. Teve a sorte de viajar sozinho, sem ninguém pra lhe incomodar. Via as estrelas claramente, e vez ou outra algum vestígio de civilização, além da própria estrada em si, aparecia.

Decidiu admirar a noite atípica pela janela, que estava embaçada por causa do choque entre a temperatura baixa e o ar quente que saía de seu nariz. Era uma oportunidade singular, ele se via no meio de um lugar desconhecido, sem saber ao certo quando chegaria em seu destino. E, de certa forma, isso deixava-o confortável.

Repentinamente, uma leva de lembranças invade sua mente. Olhando o horizonte escuro, onde terra e céu se distinguem apenas pelo brilho das estrelas, imagens e vozes começam a aparecer dentro de sua memória. Não precisou fechar o olho para imergir nas lembranças, era como se elas tivessem tomado forma e estivessem ali, ao alcance dele.

O  abraço que ele deu, o beijo que recebeu, o tempo que perdeu. O conselho que foi dado, a alegria que foi compartilhada, e o adeus. O começo, o meio, e o fim. A nostalgia havia se instalado.

Mas, mesmo assim, ele não deu muita importância pra isso não. Se levantou, buscou um café, sentou-se novamente e apreciou a vista. Na penumbra e na distância do horizonte ele viu inspiração. Motivação. Esperança.

Afinal de contas, o sol já estava por nascer.

domingo, 9 de dezembro de 2012

menos = mais?


sou um apreciador do minimalismo. na arte, na arquitetura, na música. a simplicidade é algo atraente, interessante. e talvez isso possa se aplicar a outras situações mais intangíveis, como ideias e relacionamentos.

como já dizia a frase, "menos é mais". menos apego, menos sentimentos, menos preocupação é mais paz, tranquilidade, felicidade. isso faz com que a gente não fique tão bitolado ou ocupado com alguma coisa, pensamento ou pessoa. saber dosar as necessidades, além de domar os desejos e obter controle sobre os sentimentos é essencial pra se viver bem.

acredito que praticar o minimalismo no dia-a-dia pode ajudar a gente a ter uma vida melhor, mais agradável e interessante. dá aquele empurrão que a gente precisa pra se libertar de algum medo, ou ficar livre dos conceitos errados que a sociedade em geral coloca dentro da gente.

talvez eu esteja errado no que disse até aqui, mas ao menos isso deu certo comigo. e continua a dar certo. e espero que continuará assim até o fim.