Sublime era o sentimento que estava no ar. O sol estava se
escondendo no horizonte distante, e seus raios deixavam de iluminar a terra
firme e cessavam de se refletirem no mar. A cada piscar de olhos, o céu assumia
diferentes tonalidades de cores. E tudo foi se escurecendo, até que a lua e as
estrelas se tornaram a única fonte de luz existente, juntamente com a tocha que
eu estava segurando.
Lembro-me que caminhei na beira da praia. Sentia a maré indo
e vindo, a água gelada naquela noite fresca de verão. Minha chama cortava a
escuridão. Ouvia o som do oceano, as ondas quebrando metros à frente e a brisa
doce e suave que era responsável por deixar a noite tão amena.
Tal qual em outro sonho que eu tive, ouvi uma voz que
chamava meu nome. Ela era familiar. Insistente. Me convenceu a deixar de
caminhar e parar. Outra luz a acompanhava. Não era uma tocha, não era uma
lâmpada, nem um lampião. Era uma espécie de aura, não tão clara assim, mas que
me ajudava a percebê-la na noite iluminada pelos astros do céu. Era como se ela
fosse uma estrela caída, um ser vindo de outra dimensão.
Fitei-a, observei ela se aproximar, e me senti compelido a
me unir a ela. Deitados na praia, pude decorar as curvas de seu corpo.
Desfrutamos um do outro, enquanto os fluídos da paixão corriam acelerados em
nosso sangue. Me senti enlevado, arrebatado, transportado a uma dimensão
exterior. E ela me acompanhava nessa viagem.
De volta à aparente realidade, achei que estava sonhando.
Mas ouvi novamente o som das ondas, do vento e da voz dela, desta vez ao meu
lado, enquanto estávamos deitados na praia à luz do luar.
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