quinta-feira, 29 de agosto de 2013

ode ao poente

sentado num barco que acompanhava a marola, via a costa ficar cada vez mais distante. a cor avermelhada dos paredões de rochas nas quais a água tranquilamente batia se tornava sombra ao passo que eu via a terra firme se afastar de mim. o barco fez uma curva, e deixei de ver o solo, a terra, o porto e fui apresentado ao sol poente, o momento mais espetacular do dia, no qual a mágica da transição entre dia e noite, luz e trevas, calor e frio, claro e escuro acontecia.

o astro-rei brilhava e fazia um espetáculo no céu de tonalidades azuladas e alaranjadas. seus raios se refletiam nas águas. o barco balançava pouco, apenas deslizava sobre as águas. era um cenário estupendo, uma vista sublime. a brisa suave de um fim de tarde, a água gelada, os tons surreais no céu, o reflexo do sol naquele lago; tudo era real.

assim o barco ia rumando, navegando e se movendo por sobre as águas daquele tão belo lago, e cada vez mais o sol se escondia no horizonte, completando o seu papel na maravilhosa e perfeita obra da criação divina. observando tudo isso, lá estava eu, um mero nada diante de tanta beleza e grandeza, com meu bloco de notas em mãos. deixei a escrita pra lá e apenas observei calado, estupefato, maravilhado, o último raio de sol sumir no horizonte.

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