domingo, 15 de setembro de 2013

tempesta(r)de

era a glória do fim de tarde. ele resolveu observar o sol se pôr de cima de um paredão de rochas que dava pro mar. as ondas quebravam metros abaixo dele. os ventos frios anunciavam o fim do outono. não se veria uma tarde daquelas por um bom tempo, ele pensou. puxou o zíper de sua jaqueta, e se protegeu o máximo que pôde. ele não queria sair dali.

observar o fim de tarde pra ele era um momento mágico, ímpar, sem igual: havia se tornado um ritual ver o sol desaparecer no horizonte desde que se mudou para aquela pequena cidade costeira. a casa que ele tinha perto da praia tinha uma vista boa, mas nada melhor do que aquele paredão. ali ele tinha total paz. absoluta tranquilidade. incomparável liberdade.

tirou um saca-rolhas de seu bolso, abriu uma garrafa de vinho que havia trazido consigo, encheu uma taça de vinho e a ergueu alto, como se fosse oferecer um brinde. "ao esplendor do entardecer", disse, tendo apenas como testemunhas algumas gaivotas, as ondas que quebravam, nuvens escuras que anunciavam uma tempestade iminente e o sol, que fugia do dia, dos raios e dos trovões, se escondendo além do horizonte.

e o astro-rei lentamente se foi no horizonte. com perplexidade, tal espetáculo da natureza era admirado por ele. as nuvens negras já estavam tomando conta dos céus neste momento, e era necessário que ele voltasse pra casa, antes fosse apanhado pelo temporal que se aproximava.

assim chegou em sua casa. mais um dia se encerrou. era o fim de um período, de uma estação, de uma época. e isso não podia passar despercebido. ouvindo o som das primeiras gotas de chuva, que anunciavam uma noite tempestuosa, ele acendeu uma vela, pegou café, acendeu um cigarro e ficou mudo, deixando toda a agitação dentro de si se esvair e tomar conta das ondas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário