Tudo indicava que este seria mais um dia daqueles bem
ordinários. Com o friozinho que fazia, deu até aquela preguiça de levantar.
“Que vida fodida e ingrata” foi um pensamento que passou na cabeça, mas ele
acabou descendo pelo ralo da pia enquanto lavava meu rosto.
Antes de sair de casa, fiz aquele checklist mental pra ver
se eu não tava esquecendo algo. Mochila, chaves, fones de ouvido, minha cabeça
– tudo estava aparentemente em seus devidos lugares. Corri para não perder o
coletivo. Cheguei exausto: tô bastante sedentário, concluí ao sentar ao lado de
uma janela.
Como de costume, coloquei meus fones de ouvido. Mergulhei na
atmosfera de sempre, e fiquei isolado curtindo as vibrações sonoras, no meio da
lotação incomum no ônibus naquele horário do dia.
Numa das paradas que o coletivo fez em direção ao seu
destino, surge uma figura incomum no meio de tanta gente acostumada a essa
realidade diária. Pra mim, era estranho. Bom, na verdade era como se a música
tivesse se materializado ali mesmo.
A pele dela, que era suave e clara,
brilhava como se fosse prata. Os cabelos tinham tonalidades loiras, os olhos
pareciam ter uma incomum chama azulada. As roupas, que eram bem simples,
reforçavam o protagonismo que a beleza dela exercia naquele ônibus lotado.
Enquanto a fitava, o ônibus parou. No meio das pessoas, não
a vi mais, e assim continuei com minha jornada, rumo ao meu destino, sem saber
o que fazer, mas sabendo que jamais tal situação aconteceria. Bom, era o que eu
pensava.
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