as coisas se sucedem e, depois de um tempo, se repetem. quem
nunca parou para pensar nessa ordem
cíclica das coisas? fui acordado pelo som de um trovão e não consegui voltar
mais a dormir. o quarto escuro e a noite fria me davam todas as condições pra
eu ter um sono gostoso e relaxante. mas não, minha mente se recusava a ficar em
repouso.
o tempo vai passando, a chuva continua a cair. alguns
relâmpagos iluminam o quarto, e fiquei no meio da luta entre a mente hiperativa
e o corpo exausto. esta luta é um belo exemplo de como as coisas acabam
acontecendo e se repetem com certa frequência.
resolvi respirar fundo e ficar em silêncio. a chuva caía, os
relâmpagos iluminavam a noite escura, os trovões anunciavam que o tempo não
iria melhorar tão cedo. mas um dia, o sol apareceria, tudo ficaria claro de
novo, o calor tomaria conta da cidade e do coração das pessoas. as águas
evaporariam, nuvens de chuva seriam formadas, e assim a chuva cairia novamente.
períodos turbulentos da vida acontecem com frequência. é bem
certo que todos nós vamos sofrer durante nossa existência, seja com a morte de
alguém que amamos, seja através de uma dor física, ou quem sabe nas paixões,
nos relacionamentos, no amor. sempre algo ou alguém vai embora, e precisamos
estar preparados para isso.
mas a questão é: nenhum tormento terreno é eterno. nada é
maior do que nossa capacidade de lutar e vencer. nós fomos feitos com base num
ser Perfeito, Único, Eterno. as dores passageiras dessa efêmera existência não
podem nos abater, pois fomos criados para a eternidade.
pensei nisso. era como se finalmente algo tivesse sido
desativado em mim. no caso, era a teimosia da minha mente. fechei meus olhos,
ainda ouvindo o som da chuva e dos trovões, e dormi, sabendo que no dia
seguinte encontraria o sol da esperança brilhando novamente.
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