em um daqueles dias quando a falta de sono é inversamente
proporcional a necessidade de acordar cedo no dia seguinte pra seguir a rotina,
geralmente eu fico preocupado. é claro que parte da preocupação era por conta
da insônia, mas não somente por causa dela.
no meio dessa preocupação, e depois de uma série de
pensamentos correlatos, uma ideia brotou na minha mente (este texto é fruto direto
da ideia). ao anotar no meu celular o cerne da ideia, consegui dormir (ufa).
é engraçado quando pensamos em algo sob um ponto de vista
que nunca analisamos antes. não sei qual a razão, mas as muitas divagações da
minha mente sobre amor, paixões (o plural é intencional) e relacionamentos
íntimos me levaram a essa analogia: o amor, hoje em dia, é uma corrida num
circuito fechado.
você conhece a pessoa. trocam beijos, carícias, palavras,
presentes, fluídos. com um empurrãozinho do tempo, as coisas se tornam mais
intensas. eventualmente rola uma transa, um jantarzinho romântico, madrugadas a
fio perdidas trocando mensagens via Whatsapp, SMS ou Facebook. é inevitável: o
sentimento brota e começa a florescer.
mas e aí? o que vem depois? um namoro, claro. passam-se os
dias, semanas, meses e até anos. a cada data importante é como se uma volta
completa no circuito do amor fosse dada. mas o trajeto permanece o mesmo. sem
contar os problemas: discussões, intrigas, ciúme, sentimento de posse vão aos
poucos minando a nossa capacidade de continuar correndo com fôlego e energia
nesse circuito. e, no fim das contas, a gente acaba quebrado e sozinho.
o interessante é: eu, particularmente, não sou muito fã
dessa ideia, apesar de conseguir identificar isso (e muito) em diversos
relacionamentos de amigos e amigas hoje em dia. meu ideal seria uma espécie de
rally: se aventurar por campos desconhecidos, sem traçar o mesmo caminho sempre
e sempre...
mesmo sabendo que o trajeto seria muito mais complicado e as
chances de obstáculos ou problemas intervirem serem maiores, o que interessa
aqui é a companhia: com a pessoa certa do meu lado, sei que posso transpor tais
empecilhos facilmente, e assim eu e ela – nós – podemos seguir juntos, um
guiando o outro nesses caminhos de pedras que a vida oferece.
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