numa manhã comum, o despertador do celular cumpriu sua
função com êxito: fez com que ele acordasse na hora certa. e lá se foi ele para
o banheiro repetir seu ritual diário: mijou, lavou suas mãos, escovou seus
dentes, jogou uma água no rosto e voltou para seu quarto. se vestiu, olhou para
o relógio, pegou seu fone de ouvido e suas demais coisas e se foi caminhando
pelas ruas que estavam tomadas por uma neblina que não era tão densa assim.
esperava o ônibus na parada, e quando este apareceu no
horizonte, já se posicionou a ponto de sinalizar para o motorista. entrou no
coletivo, que estava apinhado de gente, que deveriam repetir diariamente seus rituais também. era ali que todos se encontravam: cada um com aparências, semblantes, olhares diferentes.
no meio de toda essa gente, ele teve uma epifania. de repente cada olhar, cada gesto e cada postura das pessoas passou a ter um significado único, singular, ímpar. era como se ele perscrutasse o íntimo de cada pessoa que estava dentro do coletivo. flashes de como deveriam ser as
rotinas dessas pessoas apareciam na mente dele. e ele, resoluto, decide
escrever, ali mesmo, nos sacolejos e movimentos bruscos do ônibus, uma palavra
em seu bloco.
era essa palavra, escrita numa pequena nota em seu bloco,
que fez com que ele pudesse também compreender melhor que, apesar de cada
pessoa seguir religiosamente uma rotina de forma quase ritualizada, elas também
tinham seus momentos de súbita iluminação e compreensão sobre algum assunto da
vida. foi aí que ele percebeu a humanidade presente em cada pessoa.
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