domingo, 14 de julho de 2013

epifania


numa manhã comum, o despertador do celular cumpriu sua função com êxito: fez com que ele acordasse na hora certa. e lá se foi ele para o banheiro repetir seu ritual diário: mijou, lavou suas mãos, escovou seus dentes, jogou uma água no rosto e voltou para seu quarto. se vestiu, olhou para o relógio, pegou seu fone de ouvido e suas demais coisas e se foi caminhando pelas ruas que estavam tomadas por uma neblina que não era tão densa assim.

esperava o ônibus na parada, e quando este apareceu no horizonte, já se posicionou a ponto de sinalizar para o motorista. entrou no coletivo, que estava apinhado de gente, que deveriam repetir diariamente seus rituais também. era ali que todos se encontravam: cada um com aparências, semblantes, olhares diferentes.

no meio de toda essa gente, ele teve uma epifania. de repente cada olhar, cada gesto e cada postura das pessoas passou a ter um significado único, singular, ímpar. era como se ele perscrutasse o íntimo de cada pessoa que estava dentro do coletivo. flashes de como deveriam ser as rotinas dessas pessoas apareciam na mente dele. e ele, resoluto, decide escrever, ali mesmo, nos sacolejos e movimentos bruscos do ônibus, uma palavra em seu bloco.

era essa palavra, escrita numa pequena nota em seu bloco, que fez com que ele pudesse também compreender melhor que, apesar de cada pessoa seguir religiosamente uma rotina de forma quase ritualizada, elas também tinham seus momentos de súbita iluminação e compreensão sobre algum assunto da vida. foi aí que ele percebeu a humanidade presente em cada pessoa.

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