sou o tipo de pessoa que vivia no dia a dia algumas
experiências aleatoriamente surreais. nunca sabia ao certo quando elas iriam
acontecer, apenas sentia algo momentos antes das situações, como se fosse uma
espécie de presságio, uma sensação estranha, inexplicável, que antecede a
situação. mas tais experiências pararam de acontecer.
bem, sentir isso é bom, mas não é de todo algo completo
(obviamente, já que se trata de uma sensação antecedente e inicial). é como se
numa espécie de "crescendo sensorial" minhas percepções e sensações
fossem aumentando rumo ao ápice, ao cume, ao ponto máximo onde chego ao meu
êxtase momentâneo e efêmero, antes que todas as sensações entrem numa redução
gradual, até cessarem.
de toda forma, pude experimentar esta sensação tão inefável
depois de um longo tempo sem poder senti-la fluindo em minhas veias, quando
fechei meus olhos. da forma que senti a brisa suave bater em meu rosto,
apreciei o som que dos fones de ouvido saía. ah, o doce som de uma música que
adotei como uma espécie de trilha pessoal, trilha essa cujos acordes ecoaram em
minha mente e me transportaram a outro lugar momentaneamente.
pude sentir o cheiro da água, a marola, uma brisa suave, o
movimento de um barco pequeno e o sol, que se refletia na imensa vastidão de
água, que se perdia no horizonte.
mas tudo teve seu fim, já que tais momentos são tão efêmeros
quanto uma piscada de olhos. voltei a realidade, desci do ônibus onde estava e
caminhei pelas ruas escuras numa dessas noites de Inverno, relembrando a doce
sensação de sentir e viajar para um lugar de paz, mesmo que por alguns breves
instantes.
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