quarta-feira, 10 de julho de 2013

transcedência sensorial


sou o tipo de pessoa que vivia no dia a dia algumas experiências aleatoriamente surreais. nunca sabia ao certo quando elas iriam acontecer, apenas sentia algo momentos antes das situações, como se fosse uma espécie de presságio, uma sensação estranha, inexplicável, que antecede a situação. mas tais experiências pararam de acontecer.

bem, sentir isso é bom, mas não é de todo algo completo (obviamente, já que se trata de uma sensação antecedente e inicial). é como se numa espécie de "crescendo sensorial" minhas percepções e sensações fossem aumentando rumo ao ápice, ao cume, ao ponto máximo onde chego ao meu êxtase momentâneo e efêmero, antes que todas as sensações entrem numa redução gradual, até cessarem.

de toda forma, pude experimentar esta sensação tão inefável depois de um longo tempo sem poder senti-la fluindo em minhas veias, quando fechei meus olhos. da forma que senti a brisa suave bater em meu rosto, apreciei o som que dos fones de ouvido saía. ah, o doce som de uma música que adotei como uma espécie de trilha pessoal, trilha essa cujos acordes ecoaram em minha mente e me transportaram a outro lugar momentaneamente.

pude sentir o cheiro da água, a marola, uma brisa suave, o movimento de um barco pequeno e o sol, que se refletia na imensa vastidão de água, que se perdia no horizonte.

mas tudo teve seu fim, já que tais momentos são tão efêmeros quanto uma piscada de olhos. voltei a realidade, desci do ônibus onde estava e caminhei pelas ruas escuras numa dessas noites de Inverno, relembrando a doce sensação de sentir e viajar para um lugar de paz, mesmo que por alguns breves instantes.

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