Com o som de um vento suave passando pelos meus ouvidos, eu
estava de frente para o mar num fim de tarde. A vista era surreal, indizível e
absolutamente estonteante. E enquanto eu observava aquele mar, aquele sol e
aquele céu, ouvi de longe meu nome.
Olho para trás e vejo outro mar - desta vez, um de areia -
com suas altas dunas se parecendo com gigantescas ondas. E do topo de uma delas
vinha a voz, o som da doce, suave e feminina voz que me chamava. E surge,
rodeada pelo brilho de outro sol, uma figura. Uma silhueta. Uma mulher.
Curvas que marcavam e preenchiam um vestido branco, tão alvo
que percebi: ela era o outro sol. Seus cabelos se mexiam a cada passo,
balançados ao sabor do vento. E ela descia, lenta, descalça e graciosamente as
dunas, caminhando em direção à praia - em minha direção.
Eu a via se aproximar mais, e mais, cada vez mais... Vi a
cor de seus olhos, seu sorriso, as curvas e a beleza de sua face aumentarem de
tamanho. E ela chegou até mim. Frente à frente, tento balbuciar algo, mas
delicadamente ela coloca seu indicador em meus lábios, e em seguida abre os
seus, começando a falar...
Sonhei com isso esta noite. E na anterior. E nas anteriores.
E sempre acordo no momento em que seus lábios tão bem esculpidos e seus cabelos
castanho escuros se aproximam de mim. Quiçá fosse mais do que um sonho, ou uma
impressão. Ainda espero encontrar tal bela moça no mundo real.
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