segunda-feira, 5 de agosto de 2013

talvez

Talvez desconectar-se do mundo seja difícil demais. Talvez algumas coisas na vida sejam difíceis de se entender. Talvez seja difícil deixar a criatividade fluir quando se está preocupado ou com muitas expectativas sobre o futuro, seja ele algo próximo ou distante. Talvez fechar os olhos e imaginar seja complicado com a mente cheia de pensamentos. Talvez, talvez, talvez.

Mas talvez o outro lado seja mais interessante. Talvez as coisas simples, os detalhes que aparentemente são insignificantes em nosso dia-a-dia façam toda a diferença. Talvez o agora possa valer mais que o amanhã, pois este é fruto do que fazemos hoje. Talvez fechar os olhos, independente das preocupações na mente, seja abrir os olhos e experimentar uma viagem como nenhuma outra.

Talvez se deitar e ouvir uma música relaxante possa ter um efeito muito melhor do que qualquer coisa. Talvez meditar, ouvir o som das árvores dançando ao sabor do vento, apreciar a chuva que cai do céu de maneira suave num fim de tarde seja melhor do que deixar esses momentos únicos passarem despercebidos.

Talvez um abraço muitas vezes fale mais do que um beijo. Talvez um carinho seja melhor do que uma transa. Talvez um eu te amo seja melhor do que um presente caro. Talvez estar do lado (ou perto) de quem se ama é melhor do que ter diversas opções para a noite no fim de semana. Talvez o amor seja melhor que a atração física.

E talvez viver seja melhor que sobreviver. Ah, com certeza.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

orquestra

como bom amante de música, desde que comecei a entender que existiam diversos gêneros e subgêneros que classificam os diversos ritmos musicais, ando sempre com meus fones de ouvido no bolso. com o passar do tempo, fiquei acostumado a isso, tanto é que considero agora meus fones de ouvido quase como parte integrante do meu corpo.

bem, e numa dessas tardes que a gente encerra sem fazer muita coisa, enquanto ouvia música, um pequeno trecho da trilha que estava ouvindo me impactou de tal forma que através dos ouvidos ecoou em minh'alma. "she's like a big orchestra, playing my tiny tune" soou como algo tão belo e entrou tão fundo no meu íntimo que achei, por um momento, que aquele pequeno trecho de uma música aparentemente sem sentido algum havia sido escrito por alguém que conhecesse meu íntimo.

enquanto ouvi esse pequeno trecho, obviamente comecei a pensar. de forma quase automática me senti imerso num turbilhão de sentimentos que, confesso eu, não imaginava que se encontrava dentro de mim. bem, ao menos eu acreditava que aquilo estava em meu interior.

subitamente, me senti transportado de volta a realidade, e lá estava eu, parado, em pé, vendo ela, cuja voz era tão doce e suave como uma orquestra enquanto toca uma sinfonia, partindo, enquanto minha pequena música chegava ao seu fim.

terça-feira, 23 de julho de 2013

salto de fé

recentemente, enquanto tava vendo um filme no cinema, ouvi uma expressão que me despertou muito a atenção (talvez esse interesse despertado dentro de mim seja a razão deste texto). a expressão, no termo original que ouvi no filme, seria leap of faith, algo como salto de fé ou pulo de fé.

o contexto na qual esse termo estava inserido obviamente explicava a expressão, mas fiquei intrigado com essas pequenas palavras. obviamente, como não sei tudo, pesquisei pela Internet e vi que o termo é atribuído (de maneira errônea, destaco aqui) ao filósofo dinamarquês Kierkegaard.

bem, de maneira resumida, esse "salto de fé" significa crer em algo que a princípio parece ser impossível, intangível e inalcançável. obviamente, pelo fato da fé ser algo intrínseco à religião, esta expressão está intimamente ligada a prática religiosa.

a questão aqui é: a ideia de se lançar de cabeça numa experiência desconhecida a princípio assusta - e muito, diga-se de passagem - mas quem garante que tal experiência será algo ruim? e com base nessa premissa, por que sempre associamos o que nos é desconhecido a algo desagradável?

de toda forma, é bom arriscar, e dar um voto de confiança, um salto de fé no oceano das experiências desconhecidas. querendo ou não sempre achamos algo bom, independente dos erros e acertos que de maneira inevitável virão ao nosso encontro.

domingo, 14 de julho de 2013

epifania


numa manhã comum, o despertador do celular cumpriu sua função com êxito: fez com que ele acordasse na hora certa. e lá se foi ele para o banheiro repetir seu ritual diário: mijou, lavou suas mãos, escovou seus dentes, jogou uma água no rosto e voltou para seu quarto. se vestiu, olhou para o relógio, pegou seu fone de ouvido e suas demais coisas e se foi caminhando pelas ruas que estavam tomadas por uma neblina que não era tão densa assim.

esperava o ônibus na parada, e quando este apareceu no horizonte, já se posicionou a ponto de sinalizar para o motorista. entrou no coletivo, que estava apinhado de gente, que deveriam repetir diariamente seus rituais também. era ali que todos se encontravam: cada um com aparências, semblantes, olhares diferentes.

no meio de toda essa gente, ele teve uma epifania. de repente cada olhar, cada gesto e cada postura das pessoas passou a ter um significado único, singular, ímpar. era como se ele perscrutasse o íntimo de cada pessoa que estava dentro do coletivo. flashes de como deveriam ser as rotinas dessas pessoas apareciam na mente dele. e ele, resoluto, decide escrever, ali mesmo, nos sacolejos e movimentos bruscos do ônibus, uma palavra em seu bloco.

era essa palavra, escrita numa pequena nota em seu bloco, que fez com que ele pudesse também compreender melhor que, apesar de cada pessoa seguir religiosamente uma rotina de forma quase ritualizada, elas também tinham seus momentos de súbita iluminação e compreensão sobre algum assunto da vida. foi aí que ele percebeu a humanidade presente em cada pessoa.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

transcedência sensorial


sou o tipo de pessoa que vivia no dia a dia algumas experiências aleatoriamente surreais. nunca sabia ao certo quando elas iriam acontecer, apenas sentia algo momentos antes das situações, como se fosse uma espécie de presságio, uma sensação estranha, inexplicável, que antecede a situação. mas tais experiências pararam de acontecer.

bem, sentir isso é bom, mas não é de todo algo completo (obviamente, já que se trata de uma sensação antecedente e inicial). é como se numa espécie de "crescendo sensorial" minhas percepções e sensações fossem aumentando rumo ao ápice, ao cume, ao ponto máximo onde chego ao meu êxtase momentâneo e efêmero, antes que todas as sensações entrem numa redução gradual, até cessarem.

de toda forma, pude experimentar esta sensação tão inefável depois de um longo tempo sem poder senti-la fluindo em minhas veias, quando fechei meus olhos. da forma que senti a brisa suave bater em meu rosto, apreciei o som que dos fones de ouvido saía. ah, o doce som de uma música que adotei como uma espécie de trilha pessoal, trilha essa cujos acordes ecoaram em minha mente e me transportaram a outro lugar momentaneamente.

pude sentir o cheiro da água, a marola, uma brisa suave, o movimento de um barco pequeno e o sol, que se refletia na imensa vastidão de água, que se perdia no horizonte.

mas tudo teve seu fim, já que tais momentos são tão efêmeros quanto uma piscada de olhos. voltei a realidade, desci do ônibus onde estava e caminhei pelas ruas escuras numa dessas noites de Inverno, relembrando a doce sensação de sentir e viajar para um lugar de paz, mesmo que por alguns breves instantes.

sonho de fim de tarde


Com o som de um vento suave passando pelos meus ouvidos, eu estava de frente para o mar num fim de tarde. A vista era surreal, indizível e absolutamente estonteante. E enquanto eu observava aquele mar, aquele sol e aquele céu, ouvi de longe meu nome.

Olho para trás e vejo outro mar - desta vez, um de areia - com suas altas dunas se parecendo com gigantescas ondas. E do topo de uma delas vinha a voz, o som da doce, suave e feminina voz que me chamava. E surge, rodeada pelo brilho de outro sol, uma figura. Uma silhueta. Uma mulher.

Curvas que marcavam e preenchiam um vestido branco, tão alvo que percebi: ela era o outro sol. Seus cabelos se mexiam a cada passo, balançados ao sabor do vento. E ela descia, lenta, descalça e graciosamente as dunas, caminhando em direção à praia - em minha direção.

Eu a via se aproximar mais, e mais, cada vez mais... Vi a cor de seus olhos, seu sorriso, as curvas e a beleza de sua face aumentarem de tamanho. E ela chegou até mim. Frente à frente, tento balbuciar algo, mas delicadamente ela coloca seu indicador em meus lábios, e em seguida abre os seus, começando a falar...

Sonhei com isso esta noite. E na anterior. E nas anteriores. E sempre acordo no momento em que seus lábios tão bem esculpidos e seus cabelos castanho escuros se aproximam de mim. Quiçá fosse mais do que um sonho, ou uma impressão. Ainda espero encontrar tal bela moça no mundo real.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

ideias, razão e sentimentos


a subjetividade das ideias e pensamentos existentes na cabeça do ser humano é algo complexo demais de se entender. mas geralmente aquilo que parece ser complicado desperta meu interesse e atenção (talvez essa vontade de buscar dar um ponto de exclamação as interrogações da vida é que me faz ser o que sou hoje: um ser que busca certezas ao invés de ser torturado com os porquês que cercam a existência humana).

bem, de toda forma, dentro de nossas mentes reside algo que possui tamanha força, que por vezes subestimamos esse poder residente em nós. cada um de nós tem que lidar com diversos pensamentos, ideias e sentimentos, mas frequentemente nos deixamos levar pela intuição, quando deveríamos utilizar o poder da mente - a saber, algo que desde os tempos antigos é venerado: a razão.

agimos de maneira completamente irracional, impulsiva e impensada em resposta a determinadas situações, sejam elas exteriores ou interiores a nós. lançar mão do uso da razão como forma de estabelecer parâmetros e uma linha-guia para nossas ações frente aos indivíduos que estão ao nosso redor ou em relação a nós mesmos de fato é algo saudável e que deveríamos praticar com mais frequência.

dessa forma, conseguimos nos libertar do vil domínio que as paixões exercem sobre a maioria das pessoas, e passamos dessa forma a agir de maneira desapegada, indiferente a qualquer jogo psicológico ou emocional que os outros fazem conosco e obtemos vitória sobre nossos medos e sentimentos. porém, usar a razão não significa a vitória, é apenas o início de uma caminhada na qual a mente domina, e o coração obedece.